domingo, 22 de novembro de 2015

Correndo contra o sedentarismo

por Thaís Choucair e Victor Lambertucci


Mesmo com o aumento do sobrepeso no país, o brasileiro está praticando mais atividades físicas e ocupa os espaços públicos, na busca de uma vida mais saudável.



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(Foto: banco de imagens)



     O século da velocidade, da tecnologia, da rotina apressada trouxe facilidades, mas também criou novos vilões, dentre eles o sedentarismo. O desleixo com a saúde fez aumentar de maneira alarmante a obesidade, que aliás é considerada um dos males dos dias atuais. A pesquisa Vigitel, a mais recente sobre o tema, realizada em 2014 e divulgada em abril deste ano, pelo Ministério da Saúde (MS), revela que o índice de brasileiros acima do peso segue em crescimento no país - mais da metade da população está nesta categoria (52,5%) e, deste grupo, 17,9% são obesos, fatia que se manteve estável nos últimos anos. Mas a facilidade de acesso à informação, os alertas constantes dos órgãos competentes e da mídia e, é claro, a própria conscientização das pessoas, geraram uma mudança de comportamento.


    Dados do mesmo levantamento do MS comprovam que a população começa a se preocupar mais com o bem estar do corpo e da mente. Segundo o estudo, nos últimos seis anos, houve aumento de 18% dos praticantes frequentes de atividades físicas. Entre eles, 35,3% afirmaram dedicar pelo menos 150 minutos por semana aos exercícios - contra 29,9%, em 2009. O costume de permanecer em frente à televisão por mais de três horas caiu de 31% para 25,4%. O Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de Minas Gerais, Paulo Miranda, lembra que é preciso conciliar a atividade física com uma alimentação saudável, que diz não ter segredo: a dieta deve ser baseada no consumo de muitas verduras e legumes, na redução de ingestão de gorduras, principalmente de origem animal. Além disso, é preciso evitar doces e refrigerantes, que não devem ser parte do dia a dia, mas sim exceções.  


    Alinhado à políticas do próprio Ministério da Saúde, cidades como Belo Horizonte incentivam essa mudança de comportamento por meio da construção e manutenção de pistas de caminhada e das chamadas academias à céu aberto, que oferecem espaço gratuito com equipamentos de ginástica, para manter o corpo em movimento. O programa Academia a Céu Aberto vem sendo desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte desde 2009. Atualmente, a cidade conta com  academias espalhadas por diferentes regiões. Do total, 50 estão localizadas no Barreiro, 31 na Centro Sul, 44 na Leste, 41 na Nordeste, 29 na Noroeste, 30 na região norte, 35 na Oeste, 40 na Pampulha e 31 em Venda Nova. O endereço específico das academias pode ser encontrado no site da Prefeitura (www.pbh.gov.br).


    Lançado em 2013 pela PBH, o Programa Caminhar desenvolve ações em ruas, praças e comunidades, oferecendo acompanhamento e orientação individual durante a prática de atividade física. Nas ações em pistas de caminhada da cidade, o programa realiza avaliações físicas periódicas. Segundo a prefeitura, a cada ano são atendidas aproximadamente 9 mil pessoas, das quais 90% têm acima de 45 anos. Atualmente, cada uma das nove regionais administrativas de Belo Horizonte conta com um ponto de atendimentos regulares. Eles ocorrem quinzenalmente de 07h às 09h30 da manhã e, para participar, basta o interessado se dirigir até a tenda de atendimentos e preencher um cadastro. A partir daí, ele será acompanhado e poderá receber orientações a cada quinzena e avaliações físicas de 3 em 3 meses. E o que se percebe nas ruas é que cada vez mais adeptos estão se unindo contra o estilo de vida sedentário.

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Pista de caminhada da Avenida Bernardo Vasconcelos, região nordeste de BH.
(Foto: Victor Lambertucci)

     O casal Elza Duarte, 53, e Gilberto Silva, 54, caminham juntos pelo menos três vezes por semana, na pista da Avenida Bernardo Vasconcelos, região nordeste de BH. Já há alguns anos firmes na prática do exercício, eles comentam terem notado o aumento no número de pessoas que utilizam o espaço. Para Elza, cuidar da saúde é uma das tarefas diárias, “Não tem essa de deixar para depois e, em companhia, fica bem mais prazeroso”, conta. O fato de ter um espaço perto de casa facilita muito, diz Gilberto, que aproveita para reclamar da falta de manutenção: “Agora está limpinho, mas tem vezes que o mato cresce muito e a prefeitura demora a tomar providência. Tirando isso é ótimo o espaço!”. O casal conta ainda que os horários da manhã e da noite são os mais concorridos e que tem dia que o jeito é andar “agarradinho”, para não trombar nas pessoas. Mas eles vêm isso como positivo, porque acreditam que mais gente está preocupada com a saúde. Para isso continuar, diz Elza, é preciso que a Prefeitura invista ainda mais em manutenção, melhorias e novas pistas e equipamentos.

    O estudante de Direito, Bernardo Milagres, 22, utiliza os equipamentos da Academia a Céu Aberto, na Avenida José Cândido da Silveira, região leste de BH, e levanta um problema: a falta de manutenção nos equipamentos e de instruções de uso. Situação que o professor de educação física Marcelo Silva diz ser problemática. Para ele, os equipamentos são um importante incentivo à prática dos exercícios, mas é preciso que eles passem por manutenção periódica. Outra necessidade é o acompanhamento de um profissional. A utilização incorreta ou o mau funcionamento, alerta o professor, podem ocasionar a ineficácia do exercício e, em casos mais graves, lesionar o praticante.

      Mesmo com a necessidade de melhorias, as pistas servem de incentivo para uma mudança no estilo de vida. Osvaldo Vaz, 59, descobriu há alguns anos que era diabético. “Eu não tive outra opção naquele momento, tive que tom ar uma atitude, fazer alguma coisa, foi um tipo de sinal”. Ele começou a caminhar nas ruas, já que, nunca foi um adepto a lugares fechados. Inicialmente, Osvaldo frequentava a Pista de Caminhada da Cemig, que le conta ter ter sido reformada e depois disso passou a ser muito frequentada. “De lá até aqui fui quase todos os dias”. A pista de caminhada a qual ele se refere está localizada na região do Barreiro, na Avenida Afonso Vaz de Melo. Atualmente, os índices de glicose de Osvaldo estão baixíssimos, graças à atividade física feita de forma recorrente. E para ele, daqui em diante “a ordem para o futuro é não ficar parado!”.

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Academia a céu aberto na Avenida Bernardo Vasconcelos, região nordeste de BH.
(Foto: Victor Lambertucci)

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