SE NÃO TEM, ELAS FAZEM TER!
ANDAMOS POR BARES E ESPAÇOS CULTURAIS EM BELO HORIZONTE CONVERSANDO COM AS MULHERES LÉSBICAS E PODEMOS CONTAR: APESAR DOS CASOS DE LESBOFOBIA E ASSÉDIO, ELAS ESTÃO CONQUISTANDO ESPAÇO.
ANDAMOS POR BARES E ESPAÇOS CULTURAIS EM BELO HORIZONTE CONVERSANDO COM AS MULHERES LÉSBICAS E PODEMOS CONTAR: APESAR DOS CASOS DE LESBOFOBIA E ASSÉDIO, ELAS ESTÃO CONQUISTANDO ESPAÇO.
A história dos espaços para lésbicas em Belo Horizonte poderia ser resumida em algumas frases: não tem, e o que tinha, fechou. Mas essa falta de opções não fez as lésbicas sumirem do espaço públco: elas não aceitam mais se esconder! Sem bares, cafés ou boates pensados para elas, as lésbicas têm
construído seus próprios lugares, se apropriando de estabelecimentos gays, de espaços culturais alternativos, e até daquele boteco ali do lado onde você jamais esperaria ver uma mesa cheia de mulheres que não querem saber de homens. Nós fomos até alguns desses lugares e conversamos com as mulheres lésbicas que encontramos por lá para entender: e aí, o que as lésbicas têm para fazer em BH? Para onde elas vão quando querem se encontrar?
A região onde estão localizados os principais lugares que as entrevistadas dizem frequentar é a Savassi. Começamos o trajeto andando pela Rua Antônio de Albuquerque, onde as mesas dos bares ocupam toda a extensão da rua e há tantas pessoas frequentando o ambiente que nas sextas e sábados os estabelecimentos se confundem em meio a mesas, cadeiras e pessoas em pé. Mas o bar mais famoso do local é mesmo o chamado Baiana do Acarajé. Lá conversamos com um grupo de cinco mulheres, todas lésbicas, que contaram um pouco porque frequentam a região.
A região onde estão localizados os principais lugares que as entrevistadas dizem frequentar é a Savassi. Começamos o trajeto andando pela Rua Antônio de Albuquerque, onde as mesas dos bares ocupam toda a extensão da rua e há tantas pessoas frequentando o ambiente que nas sextas e sábados os estabelecimentos se confundem em meio a mesas, cadeiras e pessoas em pé. Mas o bar mais famoso do local é mesmo o chamado Baiana do Acarajé. Lá conversamos com um grupo de cinco mulheres, todas lésbicas, que contaram um pouco porque frequentam a região.
“A gente se sente
à vontade aqui, no 80,
Orizontino, Bombshell,
essa parte toda, o
Bombshell pra lá, todos
os lugares.”
O bar está situado em dois locais na mesma rua, mas serve as mesmas opções e abarca o mesmo público em ambos - até porque, estão quase um frente ao outro. O grupo também mencionou outros lugares da região que costumam frequentar. Um dos bares mencionados pelas entrevistadas é o 80 Bar também famoso estabelecimento que encontramos logo depois, virando a esquina na Rua Paraíba.
Ali, as músicas mais voltadas para o rock atraem variados públicos - e lá, entre eles, também estão mulheres lésbicas. Seguindo pela Avenida Getúlio Vargas, na Rua Sergipe, já quase na Avenida do Contorno, chegamos a um terceiro local: o Bar Imperial. Bar Imperial, na Savassi Famoso entre gays e lésbicas belo horizontinos, o movimento no dia em que visitamos não estava tão alto assim. Mesmo assim, o bar continua sendo um ponto de encontro que atrai especialmente gays e lésbicas. Descendo a mesma rua, encontramos o Rei do Pastel, um bar com preços mais baixos que os demais na região, e que também foi ocupado por lésbicas, afinal, segundo elas, "a gente é lésbica em todo lugar (...) A gente evita por que o pessoal fica olhando, acha chato, mas eu beijo". Duas ruas depois do Rei do Pastel fica o Bombshell. No ambiente alternativo do bar, expressar carinho para Ana Júlia, 20, nunca
foi problema: “Eu sempre venho aqui, às vezes só em casais, nunca tive problema nesse bar. Já
tive em outros lugares, mas aqui não”.
Ana Julia, 20 anos
Mas nem só de Savassi vivem as lésbicas mineiras. Afinal, o acesso ao bairro não é assim tão popular. O transporte público para a região, por exemplo, não atende a grande maioria dos bairros de
Belo Horizonte e região metropolitana. E as lésbicas dos outros lugares? Têm para onde ir? Segundo a estudante Vanessa, 23 anos, uma das opções é o centro, mas, mesmo assim, ainda há dificuldades: “quem mora longe e não tem como ficar indo pra Savassi geralmente vai no centro, Raul Soares, Maletta, onde é mais fácil chegar. As vezes o centro, tipo a Cássia e tal, são mais legais que a Savassi. Alguns bairros até que tem opções, como onde eu moro, no Eldorado, tem uns dois que costumo ir com minhas amigas. Mas não me sinto tão a vontade, porque tem muito mais héteros. Os lugares mais tranquilos, que tem mais lésbicas, são difíceis de chegar e é caro. Gasto duas horas de ônibus pra Savassi, e lá a cerveja é bem mais cara”. Outra entrevistada também comentou sobre as características da Savassi: “os gays frequentam aqui, né, mas se a gente for parar paera pensar, são os gays mais coxinhas, mais, mais classe média alta.
Belo Horizonte e região metropolitana. E as lésbicas dos outros lugares? Têm para onde ir? Segundo a estudante Vanessa, 23 anos, uma das opções é o centro, mas, mesmo assim, ainda há dificuldades: “quem mora longe e não tem como ficar indo pra Savassi geralmente vai no centro, Raul Soares, Maletta, onde é mais fácil chegar. As vezes o centro, tipo a Cássia e tal, são mais legais que a Savassi. Alguns bairros até que tem opções, como onde eu moro, no Eldorado, tem uns dois que costumo ir com minhas amigas. Mas não me sinto tão a vontade, porque tem muito mais héteros. Os lugares mais tranquilos, que tem mais lésbicas, são difíceis de chegar e é caro. Gasto duas horas de ônibus pra Savassi, e lá a cerveja é bem mais cara”. Outra entrevistada também comentou sobre as características da Savassi: “os gays frequentam aqui, né, mas se a gente for parar paera pensar, são os gays mais coxinhas, mais, mais classe média alta.
Você vai no centrão, você vai ver realmente o que é alternativo. Em santa tereza também é um bom lugar. Santa Tereza é um lugar que abraça todo mundo, é um lugar familiar, e é um lugar de todos.” Uma opção citada no bairro Santa Tereza foi o Bar do Orlando. Seguindo da Savassi para o centro da cidade, passamos por um dos mais citados bares frequentados por lésbicas: o Bar da Cássia, na Rua Rio de Janeiro. Lá é um dos poucos locais com muitos anos de funcionamento e que reúne público lésbico há mais tempo. No andar de baixo funciona o bar e, no andar de cima, um animado karaokê.
“Quem mora longe e não
tem como ficar indo pra
Savassi geralmente vai no
centro, Raul Soares,
Maletta, onde é mais fácil
chegar. As vezes o centro,
tipo a Cássia e tal, são mais
legais que a Savassi”
Vanessa, 22 anos
Seguindo na direção da Av. Augusto de Lima, ao chegar nessa avenida há duas opções: virar à
esquerda, onde se encontra a Praça Raul Soares e alguns bares em torno dela, ou à direita, onde está
localizado o prédio do Maletta - edifício tradicional onde há bares e sebos e costuma atrair gays e lésbicas de BH.
Ainda há incômodo e receio em muitos ambientes. Segundo a estudante de psicologia Tamires,
"no Lourdes a gente fica recatada, lugares héteros em geral a gente fica recatada (...) em restaurantes, por exemplo, a gente não é tão afetuosa”. Além disso, na própria Savassi há problemas “o assédio de homens ele acontece mesmo aqui nessa região, tipo, na Obra, que é mais misturado assim, não é só gay. Aliás, lá é muito hétero, só que eles são mais alternativos. Na obra já teve gente chegando falando ‘ei, eu posso ficar com você e com sua namorada?’, mas isso também já aconteceu na velvet comigo e com minha namorada”, conta a estudante de design Marina Fonseca. Resistindo ao assédio e à lesbofobia, a ocupação de bares citados na Savassi e no Centro, por exemplo, continua sendo a alternativa que as lésbicas encontram para se reunir, conversar, se divertir e se expressar.
“A gente é lésbica
em todo lugar”
Luiza, estudante de
Comércio Exterior




